sexta-feira, 24 de abril de 2015

Just in Time

Há 20 anos, a abordagem enxuta era relativamente radical, mesmo para empresas grandes e sofisticadas. Atualmente, a abordagem enxuta  (ou lean, em inglês), o Just-in-Time (JIT), está sendo adotada fora de suas raízes automotivas tradicionais, manufatureiras e de alto volume.

No entanto, onde quer que sejam aplicados, os princípios são os mesmos. O principio chave de operações enxutas é relativamente claro e fácil de entender; significa mover-se na direção de eliminar todos os desperdícios, de modo a desenvolver uma operação que seja mais rápida, mais confiável, produza produtos e serviços de alta qualidade e, acima de tudo, opere com custo baixo.


Entretanto, os meios para atingir esse estado enxuto são menos fáceis de explicar e, algumas vezes, contra-intuitivos.

Por isso, é melhor começar a desenvolver um entendimento de operações enxutas por meio da expressão que é usada permutavelmente com enxuta - Just-in-Time ou sincronização enxuta. Em seu aspecto mais básico, pode-se tomar o conceito literal do JIT.

Just-in-Time significa produzir bens e serviços exatamente no momento em que são necessários- não antes, para que não formem estoques, e depois seus clientes não tenham que esperar. Além desse elemento temporal do JIT, podemos adicionar as necessidades de qualidade e eficiência.
Uma possível definição de JIT pode ser a seguinte:
O JIT visa atender a demanda instantaneamente, com qualidade perfeita e sem desperdícios.
Alternativamente, para aqueles que preferem uma definição mais completa: o Just-in-Time (JIT) é uma abordagem disciplinada, que visa aprimorar a atividade global e eliminar os desperdícios. Pronto.

Ele possibilita a produção eficaz em termos de custo, assim como o fornecimento apenas da quantidade correta, no momento e local corretos, utilizando o mínimo de instalações, equipamentos, materiais e recursos humanos. O JIT é dependente do equilíbrio entre a flexibilidade do fornecedor e a flexibilidade do usuário. E, é alcançado por meio da aplicação de elementos que requerem um envolvimento total dos funcionários e trabalho em equipe. Uma filosofia chave do JIT é a simplificação.


Note-se, entretanto, que a primeira definição apresenta os objetivos do Just-in-Time. Entretanto, o JIT não alcançará esses objetivos imediatamente. Em vez disso, ela descreve uma situação cujo objetivo, a abordagem do Just-in-Time, ajuda a conseguir.

Contudo, nenhuma definição de JIT engloba todas as implicações para a gestão de operações. É por isso que existem tantas frases e termos para descrever a abordagem JIT, elas incluem: fluxo sincronizado, fluxo contínuo, produção sem estoque, tempo de atravessamento rápido e operações de tempo de ciclo reduzido.

Os sete tipos de desperdícios

A Toyota (local de origem do JIT) identificou sete tipos de desperdício, o qual se acredita serem aplicáveis em vários tipos de operações diferentes - tanto de serviços como de manufatura- e formam a base da filosofia enxuta.
  • Superprodução. Produzir mais do que é imediatamente necessário para próximo processo na produção é a maior das fontes de desperdícios, de acordo com a Toyota.
  • Tempo de espera. Eficiência de maquina e mão de obra são duas medidas comuns, que são largamente utilizadas para avaliar os tempos de espera de máquinas e mão-de-obra, respectivamente. Menos óbvio é o montante de tempo de espera de materiais, disfarçados pelos operadores, ocupados em produzir estoque em processo, que não é necessário naquele momento.
  • Transporte. A movimentação de materiais dentro da fabrica, assim como a dupla ou tripla movimentação do estoque em processo, não agrega valor. Mudanças no arranjo físico que aproximam os estágios do processo, aprimoramento nos métodos de transporte e na organização do local de trabalho, podem reduzir desperdícios.
  • Processo. No próprio processo, pode haver fontes de desperdício. Algumas operações existem apenas em função de projeto ruim de componentes ou manutenção ruim, podendo, portanto, ser eliminadas.
  • Estoque. Todo o estoque deve tornar-se um alvo para a eliminação. Entretanto, somente podem-se reduzir os estoques pela eliminação de suas causas.
  • Movimentação. Um operador pode parecer ocupado, mas algumas vezes nenhum valor está sendo agregado pelo seu trabalho. A simplificação do trabalho é uma rica fonte de redução do desperdício de movimentação.
  • Produto defeituosos. O desperdício de qualidade é normalmente bastante significativo em operações. Os custos totais da qualidade são muito maiores do que tradicionalmente tem sido considerado, sendo, portanto, mais importante atacar as causas de tais custos.

Os 5 Ss
A terminologia dos 5s originou-se no Japão e, embora a tradução seja aproximada, eles significam o seguinte:
  1. Separe (Seiri). Elimine o que não é necessário e mantenha o que é necessário.
  2. Organize (Seiton). Posicione as coisas de tal forma que sejam facilmente alcançadas sempre que necessário.
  3. Limpe (Seiso). Mantenha tudo limpo e arrumado; nenhum lixo ou sujeira na área de trabalho.
  4. Padronize (Seiketsu). Mantenha sempre a ordem e a limpeza- arrumação perpétua.
  5. Sustente (Shitsuke). Desenvolva o compromisso e o orgulho em manter os padrões.
Os 5s podem ser pensados como um simples método de arrumação de casa para organizar áreas de trabalho que enfatizem ordem visual, organização, limpeza e padronização. Isso ajuda a eliminar todos os tipos de desperdício relacionados à incerteza, à espera, à busca por informações relevantes e assim por diante.

Como podemos perceber, o JIT não acaba dentro da fábrica ou no escritório. Para poder ser entendido e corretamente aplicado, ele precisa avançar e ocupar os espaços do pensamento. Incorporar-se na vida do colaborador. Transformar-se horizontalmente em "bem comum", entendido por todos por igual. A peça que o colaborador 1 precisará é a que o colaborador 2 está usinando no processo desenhado pelo colaborador 3, processo planejado pelo colaborador 4 referente as vendas do colaborador 5... e assim por diante por toda a empresa.


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