sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Visto de Fora... bem de Fora

Olhando aqui de longe, e prestando atenção no cenário que se nos apresenta, posso dizer que, as crises sempre jogaram um papel importante na história da humanidade.

As crises, as revoluções, e, até mesmo "desastres naturais", deram os primeiros passos para mudanças. Desde coisas simples, aquelas que ninguém nota, tipo: areia branca misturada no carregamento de açúcar, até guerras fratricidas sem pé nem cabeça.

Escolha uma, qualquer uma, e preste atenção.
Porém, antes perceba que reduzo décadas a alguns caracteres. Falo sem importar-me com o tempo cronológico transcorrido entre causa e efeito.


Afaste-se de motivos maniqueístas e razões filosóficas e perceba os entornos e suas mudanças. Veja o resultado do que aconteceu. Abra os olhos e permita-se, sem julgamentos de valores subjetivos, apreciar o que acontece além do seu nariz. Além do seu grupo.

Uma guerra por mercados acaba plantando as sementes para o fim de colônias. Se alastra modificando sociedades agrárias. Um outro levante, modifica mapas, posições sociais e faz surgir jovens mercados tecnológicos em antigos inimigos, por exemplo. "Só a guerra faz um Japão de paz", cantou acertadamente o mestre Gil.


Mesmo aqui no Brasil podemos notar essas mudanças.
A invenção de Brasília e a ocupação do centro do país. A Ditadura e o impulso industrial. O governo dos outros e a corrupção que nos assola. E somos, de repente, confrontados com uma nova realidade. Não mais poderemos fingir e fazer tudo como antes fazíamos. Melhorar não é mais opção, é imposição. 

Quer ver algo que todos passamos por alto? Pagamos mais por políticas do que por filosofias. Mas, preste atenção; é necessário a filosofia explicar como funciona a política, mas seu contrário não. Quase ninguém se interessa em aprender filosofia, contudo defendem políticas como se fossem salva-vidas em naufrágio.


Não mais podemos fingir que a política seja somente coisa de políticos. Pois se é essa mesma política que me atinge e molda como eu vivo minha vida, então ela É minha! E é minha política fazer o melhor possível sem para isso precisar pisar na cabeça dos outros. Alguém mexeu na minha sem permissão. Evitemos mais uma Fuenteovejuna.
Entendem agora?




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quarta-feira, 30 de agosto de 2017

A Cara de uma Nação

As eleições de 2018 serão altamente messiânicas. Todos esperando um "Salvador" com 4 anos de soluções diárias para problemas eternos.
De um lado o extremo Bolsonaro e o populismo de Lula. Entre os dois, a ignorância, a desfaçatez e a preguiça de, finalmente, tomar nas mãos as rédeas das próprias vidas. Todas temperadas pela ganância provocada pela mídia e sua visão distópica, distorcida. E, do outro, por teóricos de gabinete e burocratas, que brincam de xadrez com a vida dos outros... estatísticas, planilhas e gráficos.
Não gente.



O que é Democracia?
Teoricamente, liberdade condicionada por três poderes e protegida por um exercito. Todos podendo participar, ativamente, de qualquer um dos quatro. Aliás, essa é uma das premissas básicas do que seja democracia. Qualquer um pode se inscrever para participar de qualquer um dos quatro corpos.
Em teoria, claro. O povo é fonte produtora e participa no pagamento da estrutura toda.
(T-O-D-O-S)

O que é Oligarquia?
Epa, mudei de assunto? Não!
Preste atenção ao texto! Siga-me.
Oligarquia é quando um grupo, ou grupos de interesses iguais assumem a direção por cima dos três poderes e do exército. As liberdades, neste caso, são muito mais restritas. Tudo dependendo dos interesses do grupo(s) dominante. As mudanças necessárias acontecerão, sempre e quando, tudo continue igual. O povo continua sendo a força produtora e, agora, assume como fonte pagadora também.
(Meu G-R-U-P-O)


O que é Ditadura Militar?
Lembra do exército que protegia os três poderes, lá encima? Bom, resumidamente é quando ele, pelos motivos que achar nescessários e suficientes, assume à força, as rédeas da máquina estatal. Dá um 'golpe de estado'. Assume o controle e a direção do país, então. Direita volver!
Ditadura é uma forma de autoritarismo. Como no castro; o povo obedece e pronto!
(Os C-H-E-F-E-s)


Mas, veja que também há ditaduras e oligarquias de "esquerda" no planeta. Os nomes mudam, mas as manchas, como nos tigres, continuam iguais. Autoritarismo, destro ou sinistro, é autoritarismo na mesma.

Na escola aprendemos que, a democracia se baseia na justaposição de três poderes iguais, cada um com sua função específica. Os representantes eleitos pelo Povo, para beneficio de toda a sociedade. Alguns se esquecem, ou gostariam que os únicos beneficiados fossem eles. Mas isso é ganância, ambição desmedida e fonte de quase todos os males que provocamos, uns nos outros. Desvio antiético.

Quando falamos em: "Nós, o povo", imaginamos imediatamente um conjunto de iguais. No entanto, ao falar do "povo brasileiro", visualizamos um conjunto de parecidos, todos diferentes entre si.
Esqueça o "Raízes" do Buarque de Holanda e abrace pragmático, "o Povo" de Ribeiro.
(Mores)

Eis a verdadeira Cara do Brasil.



Simbora, dançar pintado na frente de um pato de borracha? Ou vamos continuar fingindo que não é conosco?



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  • domingo, 16 de julho de 2017

    Governo dos Outros

    A distância entre o povo e seus governantes define a validade do regime. Será?
    É uma questão, basicamente, de números.
    Percebamos primeiro, que as elites -até por sua definição teórica- são minoria, se comparadas com as outras "classes" que formam o conjunto da sociedade. Afinal entenderemos, que a menor minoria é a dos poderosos.
    Se tens pares, não és poderoso o suficiente.
    Corolário simples e óbvio.

    Que as massas do povo, se submetam passivamente aos abusos, muitas vezes sejam coniventes, e até mesmo agentes dos tais absurdos, demonstra anuência quase atávica à situação. Como se, ao participar assim deste modo, estivessem (eles) imunes aos efeitos de abusos e desmandos.
    E, mais ainda, imbuídos por semelhança, do poder dos governantes. A sra. Arendt discorreu historicamente sobre isto.


    Essa sensação de poder é, como cartão de crédito, pessoal, intransferível e... temporária. Por isso se torna necessário, como nas drogas viciantes, voltar a exercê-lo para estar satisfeito.
    A empatia, que nos tornaria igual ao nosso semelhante, e serviria de freio, vai desaparecer com o exercício dessa malade.

    E, a consciência de que esse poder é, temporariamente exercido em nome de outros, se esvai e confunde. Ela não capacita ninguém, nem outorga dimensões diferentes de modo algum.
    O executor as possui enquanto as executa. Uma vez que cesse, voltará, imediatamente, ao rol dos míseros mortais, junto com todos os (nós)outros.


    Por quê de toda esta introdução?

    Porque desde o resultado do último pleito eleitoral temos sido objeto e alvo, como povo e país, da mais sórdida e inescrupulosa movimentação político-econômica como jamais se tenha visto na história republicana.

    Sórdida e inescrupulosa porque, para alcançar seus fins lança mão de todos os meios possíveis independente de ser legal, justo, ético ou (Deus-os-livre) moral. Numa distopia tropical. Um carnaval de desfaçatezes como nunca antes visto!
    Verdadeiro Festival do Primeiro-Eu, enquanto nós, o resto do povo, ficamos às voltas com crises econômicas (que não existem), desemprego (que ninguém vê) e violências de toda sorte (beirando uma guerra civil).
    Uma (qualquer) mentira, repetida milhares de vezes... continuará sendo mentira.
    Não se engane..
    E alguns insistem em não ver.

    O que fora uma ameaça bufa do candidato derrotado, se transformou silenciosa e rapidamente, em movimento que, ignorando a opinião democraticamente expressa em votos, alijou do processo todo o povo brasileiro. Claro que houve manifestações e passeatas e panelaços, quebra-quebras e gritarias. Mas toda essa movimentação déco de patos e amarelos e panelas, foi matematicamente coreografada pela mídia desinformadora e partidos políticos interessados.
    Convenceram uma minoria de prosélitos aloprados, os vestiram de reis e os disfarçaram de maioria ululante.
    O demônio era um partido, não o mal em si!


    Os três poderes, base da democracia, hoje se digladiam amistosamente num afã autofágico. O povo foi lançado centrifugamente cada vez mais longe do "governo" que conseguiu o impeachment do(a) governo eleito(a). Primeiro, talvez até por causa do gênero, como antes também acontecera noutro experimento neoliberal.

    E ainda somos invadidos diariamente em nossas casas, assaltados nas ruas e nos deslocamentos diários, pela cantilena hipno-nauseante de que "Estamos no melhor dos mundos. O mal já foi erradicado. Isto é só um rescaldo. Não renunciarei jamais!", enquanto o caleidoscópio gira cada vez mais e mais rápido.

    A Rainha de Copas, de outra história que não escrevi, pareceria uma devota tímida se comparada aos sicários de gravata, que aparecem sorridentes na televisão.


    Ficamos tão entretidos e sequestrados apontando culpados que, nem sequer imaginamos, gastar esse tempo em experimentar soluções.
    Até agora vimos mais do mesmo.


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    terça-feira, 11 de julho de 2017

    Caballo Viejo

    Escute com atenção esta velha llanera venezolana, executada pela Orquesta Sinfónica Simón Bolivar da Venezuela regida pelo excelente maestro Gustavo Dudamel.



    E a letra:

    Cuando el amor llega así de esta manera
    Uno no se da ni cuenta
    El cauca reverdece y el guamachito florece
    Y la soga se revienta
    Cuando el amor llega así de esta manera
    Uno no se da ni cuenta
    El cauca reverdece y el guamachito florece
    Y la soga se revienta
    Caballo le dan sabana porque está viejo y cansao'
    Pero no se dan de cuenta que un corazón amarrao'
    Cuando le sueltan la rienda
    Es caballo desbocao'
    Y si una potra alazana caballo viejo se encuentra
    El pecho se le desgrana y no le hace caso a faceta
    Y no lo obedece a freno ni lo para un pasarienda
    Cuando el amor llega así de esta manera
    Uno no tiene la culpa
    Quererse no tiene horarios
    Ni fecha en el calendario
    Cuando las ganas se juntan

    Cuando el amor llega así de esta manera
    Uno no tiene la culpa
    Quererse no tiene horarios
    Ni fecha en el calendario
    Cuando las ganas se juntan

    Caballo le dán sabana
    Y tiene el tiempo contao´
    Y se vá por la mañana con su pasito apurao´
    A verse con su potranca
    Que lo tiene embarrascao

    El potro da tiempo al tiempo
    Porque le sobra la edad
    Caballo viejo no puede
    Perder la flor que le dán
    Porque despues de esta vida
    No hay otra oportunidad.


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    Gostou?
    Eu também...

    segunda-feira, 29 de maio de 2017

    Programa da Rádio

    Era um programa popular de rádio, antes do PRK-30, com auditório ao vivo e tudo. Daqueles que aconteciam nos anos 40-50. O auditório ficava cheio, e a rua frente a rádio também.


    O apresentador, entusiasmado com o andar do programa do dia, chamou o novo "artista".
    Entra um matuto à caráter com uma viola sem mais pretensões.
    - "E agora, um novo valor nacional, vindo de nossos campos valorosos, a cantar para nós".
    - "Seu nome, por obséquio?"
    - "Me chamo Carlos Apolinário."
    - "E, me diga, o que cantará nesta oportunidade?"
    - "Vou-lhes cantar uma música da minha terra. Minha tia que compôs."
    - "Sua tia, esplêndido. Será ela nossa ouvinte na ondas da rádio?"
    - "Se pusserem alto o volume do rádio, talvez escute. Não temos rádio no cemitério, sabe." (Risadas)
    - "Ahn... Entendo, entendo. Sua tia faleceu."
    - "Não, ela está morta. Morreu feliz e sorrindo." (Mais risadas)
    - "Ela sempre cantava esta canção quando ia para a plantação."
    - "Sim, sim. Bom então, o microfone é todo seu. Cante!" (Aplausos e risadas da plateia)
    - "Lá vai:
         (...) MEU CARALHAL EM FLOOOOOOOOR"

     
    - "Opa, opa! O quê é isso, meu amigo? Este é um programa de família! Contenha-se de usar desses palavrões!"
    - "Palavrões nada, meus tios eram gente humilde. Não usavam, e nem sabiam, de palavrões."
    - "E esse que o senhor disse, é o quê, por acaso?"
    - "Nunca viu um cará? Uma plantação de cará?"
    - "Desculpe. É que... me confundi."
     

    - "Mas, me diga, como se chama mesmo o lugar de onde veio?"
    - "Pau Grande, perto de Curralinho e Gemegeme."
    ...

    Por ordem da DIP tiraram o programa do ar e apagaram todos seus arquivos.
    😂

    ..."



    Nota
    Estes são meros acasos..
    Os eventos foram diacrônicamente escolhidos para montar as situações irreais.
    Não se leve tão à sério, afinal, desta vida não sairemos vivos.

    quinta-feira, 18 de maio de 2017

    Sonetos (de Neruda)



    No te amo como si fueras rosa de sal, topacio
    o flecha de claveles que propagan el fuego:
    te amo como se aman ciertas cosas oscuras,
    secretamente, entre la sombra y el alma.
    Te amo como la planta que no florece y lleva
    dentro de sí, escondida, la luz de aquellas flores,
    y gracias a tu amor vive oscuro en mi cuerpo
    el apretado aroma que ascendió de la tierra.
    Te amo sin saber cómo, ni cuándo, ni de dónde,
    te amo directamente sin problemas ni orgullo:
    así te amo porque no sé amar de otra manera,
    sino así de este modo en que no soy ni eres,
    tan cerca que tu mano sobre mi pecho es mía,
    tan cerca que se cierran tus ojos con mi sueño.





    quarta-feira, 26 de abril de 2017

    Designer de ideias


    Trabalho como editor de ideias. Nem sempre as minhas, mas ideias mesmo assim.
    Quantas pessoas não existem por aí que, por falta de conhecimento técnico ou falta de treinamento com a tecnologia, tem ideias e escritos que nunca veem a luz do dia? É nesse momento que eu apareço. Sou quem auxilia com que essa ideia, esse texto ou imagem, veja a luz, seja publicado ou executado.

    Antes disso existe todo um trabalho de critica e editoração, mistura de leitor e leitura do texto ou da ideia. Me transformo em editor-confidente, sócio e cúmplice, juiz e torcida uniformizada do autor em questão. Sempre em silencio, meu nome não aparece. Vivo à sombra, invisível.
    "I'm Batman", diriam alguns.


    Também preparo o ambiente e local onde o conteúdo, pois principalmente são temas específicos,  será publicado. Já disse que a maioria desses autores não tem conhecimento do backend de tecnologia? E lá que trabalho quando não estou junto a eles. Tenho que decidir onde e como seria melhor apresentar. Depois apresento minhas ideias a eles. Decidimos em conjunto como, onde e quando.
    Gosto muito de criar padrões de publicação a ser, às vezes, seguidos, eles se transformarão em táticas de publicação.

    Nem sempre estou ao lado deles, ou nem mesmo na mesma cidade. Trabalho remoto... Nos encontramos cara-a-cara poucas vezes. Combinamos produto e preço de antemão. Serviço posto a prova, testamos e, depois de aprovado, vamos em frente.
    Tento fazer do processo todo, algo divertido para ambos. Criar uma cultura a ser seguida que seja agradável.
    E que depois possa ser aplicada, pelo cliente-autor, sem necessariamente eu estar presente.


    O que nem sempre ocorre assim tão fácil, não. Têm havido ocasiões em que posso ver o vermelho do rosto do cliente/parceiro quando nossas ideias entram em conflito. Mesmo que leve. Mais de um já saiu de minha sala furioso, para logo volver e tentar de novo.
    Tenho visto vários destes aplicando minhas 'considerações' bem depois de não mais trabalharmos juntos. Como ideias deles.

    Gosto disso.
    Valida o que faço.
    Acho que no fundo, me valida também.




    segunda-feira, 3 de abril de 2017

    Conformática


    Então...

    Maria da Conceição 
    é o nome da minha querida filha
    Mas é mió mudar para Dorothy
    Porque computador não tem acento nem cedilha

    Computador é resultado do pogressio 
    Mas me parece que no fundo isso é conversa 
    Computador nasceu pra ajudar a gente
    Mas no fim acabou sendo vice-versa

    Informatização, informatização
    A máquina evolui, o homem fica paradão
    Informatização, informatização
    A gente se deforma e se conforma com razão

    Herrar é umano eu sei
    A gente é imperfeito de dar dó
    Computador é mutcho mais perfeito
    Inclusive sabe errar muito melhor

    Mas não me chame de reaça ou saudosista
    Computador é bom dentro dos conforme
    Se acaba a força ou pára o terminal 
    A gente vira pro outro lado e dorme

    Informatização, informatização
    A máquina evolui, o homem fica paradão
    Informatização, informatização
    A gente se deforma e se conforma com razão

    Não tô mandando que você queime 
    seus cartuchos de videogame
    Só te lembro de não esquecer 
    de que quem tem de jogar é você (RPG)

    Eu falo bem do que eu acho bom
    Só no que eu acho ruim de pau eu caio
    Esta sanfona é computadorizada
    Tem um som bom e não dá bico de papagaio

    Mas tem muita gente por aí 
    que só aperta o botão e deixa tocar
    Música feita só por computador
    Acho que só computador pode gostar

    Informatização, informatização
    A máquina evolui, o homem fica paradão
    Informatização, informatização
    A gente se deforma e se conforma com razão

    E, então assista:

    quarta-feira, 22 de março de 2017

    Mores

    Quem aposta sua vida por ideais, não os troca por dinheiro. Ideais não abrem conta em banco.
    A Presidenta (sim, PresidentA!) pecou pela teimosa idealização de que a justiça identificaria os honestos. Acabou mostrando que, onde há juízes parciais e sectários não poderá haver justiça. Quando muito, a preciosa execução de ritos verbetados e exposição de depoimentos fora de contexto para mais confundir os crédulos. Enquanto "Salvadores da Pátria", culpados muitos, comentam e avaliam vestais, os crimes em julgado.


    O que começou como a delação de um cúmplice, rapidamente se transformou em guerra mortal entre gangues de bandidos. Vale tudo para atingir seus objetivos. A incidental destruição da economia e da autoestima de um povo é tão somente um mal menor frente aos benefícios partidários e particulares que serão conseguidos.

    O escancarar diário das mazelas históricas e abjudicação unicamente aos concorrentes, sem propor soluções ou as mudanças de hábitos necessárias para melhorar é um mantra inútil matematicamente calculado. Mudar, sempre e quando, tudo continue igual. Ataque ao elo mais fraco da cadeia. "Papelão na carne", é capaz de converter-se em cunha factoide de semanários.
    E ninguém duvida, verdades da fé?

    Quando falamos em: "Nós, o povo", imaginamos imediatamente um conjunto de iguais. No entanto, ao falar do "povo brasileiro", visualizamos um conjunto de parecidos, todos diferentes entre si.
    Esqueça o "Raízes" do Buarque de Holanda e abrace pragmático, "o Povo" de Ribeiro.

    terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

    Morrer como Opção


    Não aprendemos como optar por morrer.
    Pelo menos, eu não sei. Devo ter chegado atrasado no dia dessa aula... como sempre.
    Deixei de usar relógios. Não preciso de um aparelho para lembrar-me que vou morrer.

    Também, pouco sabemos sobre como reagir à morte de nossos queridos. Familiares e amigos. Qualquer um pelos quais nutramos simpatia, afeto ou amor. Quem dizer que tem tudo planejado está mentindo de pé junto. Ninguém planeja a própria morte, nem os suicidas.
    A morte é nosso último presente. Não haverá mais futuros.
    Amanheceres, amanhãs, nem depois.
    Nossa rede se desfaz aqui.

    Somos patéticos ante o inevitável. O morto nos mostra, com seu derradeiro adeus, nossa enorme insignificância. Somos falhos, finitos e breves.
    Mesmo que vivamos mais de 100... e 1 anos.

    A imortalidade não combina conosco.


    D.E.P., querida Cila


    Espero que gostes tanto quanto eu gostei:
    "Hoje, quando o vento bate na cancela,
    meu coração pensando que é ela,

    faz um baile perfumado".
    Cartola

    segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

    The Boy in the Bubble

    Disse, num outro post, que: "vemos somente aquilo que parecemos entender". Ou então ansiamos tanto pertencer que abraçamos a forma e nos esquecemos, inocentemente, da função. Fazemos isso com - me arrisco a apostar - quase tudo.
    Assumimos a forma e prestamos nenhuma atenção à função de seja lá o que for.
    Enquanto funcione...

    Quer ver um caso disso?
    Leia a seguinte letra da música "The Boy in The Bubble" de Paul Simon, linha por linha. Não pule nenhuma e, depois, lá embaixo escute a versão musicada.

    The Boy in The Bubble - Paul Simon

    It was a slow day
    And the sun was beating
    On the soldiers by the side of the road
    There was a bright light
    A shattering of shop windows
    The bomb in the baby carriage
    Was wired to the radio
    These are the days of miracle and wonder
    This is the long distance call
    The way the camera follows us in slo-mo
    The way we look to us all
    The way we look to a distant constellation
    That's dying in a corner of the sky
    These are the days of miracle and wonder
    And don't cry baby, don't cry
    Don't cry
    It was a dry wind
    And it swept across the desert
    And it curled into the circle of birth
    And the dead sand
    Falling on the children
    The mothers and the fathers
    And the automatic earth
    These are the days of miracle and wonder
    This is the long distance call
    The way the camera follows us in slo-mo
    The way we look to us all

    E, agora sim, escute Paul Simon cantando.



    ou então, prestem atenção nesta outra versão da mesma música.
    E pensem criaturas!
    MordeDeus!


    Abraços a todos


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    quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

    A Jovem e Surpreendente Gestão de Informação

    O que é Gestão de Conhecimento, afinal?

    Em 1994, Davenport definia a Gestão de Conhecimento como: "o processo de coleta, distribuição e uso efetivo do conhecimento" (Knowledge management is the process of capturing, distributing, and effectively using knowledge). Que é usada ainda até hoje, mudando uma ou outra palavra, aqui e ali.

    E a Gestão de Informação?

    E ainda temos o fato da diferenciação entre informação e conhecimento. Muitas áreas cinzas e confusões. Primeiramente; informação não é conhecimento! (Pensou o que?)
    Só para complicar, a informação é uma (1) coisa e o conhecimento é seu fractal (1xn). A escolha é sua; Mandelbrot ou Julia, não importa.

    Quando falamos em jovem, imediatamente nos vêm à cabeça, não somente a juventude cronológica mas também a inovação. A juventude como estado e a inovação como conceito abstrato.

    Convenhamos que a gestão de informação se formaliza desde o momento em que os documentos são organizados pelos motivos que forem. Documentos organizados em bibliotecas, documentos organizados por temas, documentos guardados ou separados em coleções; atas, volumes científicos, recibos de contas, cartas de amor, etc.


    Logo, nos surpreendemos ao aliar juventude à gestão de informação, pois por definição, parece paradoxal que ela possa ser jovem, nova e, ao mesmo tempo, tão velha que tenha uma história documentada, tão grande, ou talvez mais, do que a história da própria humanidade.
    Visto que, uma sem a outra, não existe. Mesmo apesar dessa nossa ignorância.
    (Também não vemos o ar, no entanto, sabemos que ele está ai.)

    A história da humanidade documentada em documentos e os documentos testemunhas da história da humanidade. O fato simples de criar documentos, exige antes, uma hierarquização e organização de dados e informações. Tornando-os acessíveis ao usuário-consumidor.
    Isto é gestão de informação, não de conhecimento.
    Logo, jovem, nos pareceria um contrassenso, mas vamos convir, a juventude nunca é a mesma. Enquanto a gestão de informação, não somente acompanha, como muitas vezes ela mesma é promotora da emergência dos movimentos ditos 'jovens'.

    Vejamos como isso acontece quando, por exemplo, na Era Digital, os avanços são documentados ANTES de ser assimilados pelos seus usuários-consumidores. Todas as novidades que mudem o comportamento "jovem" são resultados de documentações anteriores.
    E aqui... a surpresa. Quando, por fim, entendemos o que acontece à nossa frente.





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    Referências

    Wilson, T.D. (2002) "The nonsense of 'knowledge management'" Information Research, 8(1), paper no. 144   [Available at http://InformationR.net/ir/8-1/paper144.html]
    Davenport, T.H. et al., Building Successful Knowledge Management Projects at http://www.providersedge.com/docs/km_articles/building_successful_km_projects.pdf
    Milton, N., Knowledge Management FAQ at http://www.knoco.com/knowledge-management-FAQ.htm
    Koenig, M.E.D., What is KM? Knowledge Management Explained at http://www.kmworld.com/Articles/Editorial/What-Is-.../What-is-KM-Knowledge-Management-Explained-82405.aspx
    Davenport, T.H., Some Principles of Knowledge Management at http://www.strategy-business.com/article/8776?gko=f91a7
    Arjan Ten Cate, Knowledge management - A Theoretical Framework and Implementation at the “big four”, TCC da Faculteit der Economische Wetenschappen Erasmus Universiteit Rotterdam, 2016



    segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

    Olho no lance!

    Sou um S.L.
    Não! Espere.
    Deixe-me explicar, que ninguém começa um post indo diretamente para "Call me Ishmael" sem um bom motivo.
    Passei muito tempo empregado, vendo a informação tomar forma, sintetizar e transformar-se em conhecimento. Participei desse processo até aprender alguma coisa, aqui e ali. Depois passei muito tempo desempregado, o que me levou a rever e reavaliar tudo o que aprendi e fiz. E ler e pensar sobre o assunto (informação)  de todas as fontes que conseguia.
    Certo e errado.

    Hoje, mais velho, sou o sujeito que participa das reuniões, quase não abro a boca e presto muita atenção no que é dito, como é dito, nos silêncios e nas caras e bocas. Antes e depois da reunião. Depois faço perguntas, e como tem acontecido ultimamente, faço relatórios.

    Trabalho com Gestão de Conhecimento ou de Informação, se preferirem. Não sou o cliente, apesar de ser empático a ele. Mas e também, não sou o proponente principal, devendo antes saber e entender, contudo, da proposta em questão.

    Fico a meio caminho entre os dois. Tento ficar algo parecido com um 'Equilíbrio de Nash' entre as partes. Como disse antes; não abro muito a boca. Escrevo e documento.
    O que me leva a escrever este post é exatamente a consciência dessa minha posição e a percepção de sua necessidade.

    A empresa na qual trabalho também trabalha com informação e conhecimento (GI/GC). Ainda mais, trabalha com memórias institucionais e todo o relativo a esses três produtos (GIM).
    Sim, produtos! A primeira vez que os chamei assim, a bibliotecária achou graça e riu alto. E eu me envergonhei de que ela não conseguisse perceber que informação, conhecimento e memõrias, seriam transformados em produtos antes dela se aposentar.


    Todas as propostas apresentadas, referem-se a projetos sobre coisas que não existem nessa configuração. Difícil de entender? É muito fácil, na verdade, siga-me:
    • As empresas (não importa seu tamanho, serviço ou produto) produzem informação. Em documentos, muitos milhares de documentos relativos a várias funções e processos (legais, recursos humanos, insumos, logística, etc.).
    • A tramitação desses processos é, na maior parte das vezes, assumida como rotina. Toda rotina tem um tempo certo para ser executada. Algumas mais outras menos, mas invariavelmente, são chamadas de: rotina.
    • Essas rotinas consomem muitos recursos (humanos, financeiros e materiais). Quanto mais, ou maiores, as rotinas, mais ou maior será o consumo de recursos. Isto onera a empresa e seu produto.
    São estas rotinas que o uso criterioso da gestão de informação (GI), algumas vezes aliada à tecnologia, muda.

    Pois é, o que mais tenho visto são empresas comprando a última tendência da moda em tecnologia e transferindo para ela toda a confusão analógica de papeis, documentos e processos que estavam indo para o "arquivo morto". Obtendo com este singelo expediente: uma confusão digital de imagens de documentos que serão, logo depois, acompanhados por documentos digitais criados em modernos softwares de fazer doidos. Tudo a caminho da obsolescência e incompatibilidade.
    E à ocupação de espaço físico valiosíssimo nas empresas com originais perdidos no meio do papel.
    Mover o caos para a 'nuvem' se reduz a exatamente isso: mover o caos para a nuvem.

    Timeline de desenvolvimento de Tecnologias

    A introdução da tecnologia aos processos executados nas empresas aumentam a velocidade do processo, não da decisão e muito menos da execução de estratégias. Isso fica a cargo de nós, gente. Por muito mais que os softwares consigam fazer relações cruzadas, estas relações somente têm valor quando são investidas de significado por nós, humanos.
    Ainda temos a última palavra nesta relação.

    Exatamente por isso é que me surpreendo quando, nas reuniões de trabalho, percebo o desconhecimento do valor da documentação, da informação e da memória institucional, que muito gestor têm e que se encontram sob sua responsabilidade.

    Que as soluções mais caras, nem sempre são as melhores. Que as soluções apresentadas, às vezes, podem ir muito além do que esperávamos. E que estas soluções podem mudar a rotina de tal forma que as rotinas anteriores se tornem mais baratas e descubramos novos e inesperados mercados.
    Esta surpresa me surpreende.

    Muito mais quando são millenials e gente muito mais jovem que eu, criados e alfabetizados na tecnologia.

    O engessamento de processos e rotinas e a manutenção desta situação pela alta diretoria, é capaz de criar tal confusão que o 'longe dos olhos, longe do coração' documental, passa a ser ferramenta de gestão estratégica. Poucos entendem e muitos se surpreendem quando uma solução de gestão documental elimina quase de 99% do tempo na rotina executada.

    E muito mais quando algumas dessas soluções já estão dentro do organograma da organização, só que com seus elementos tão separados uns dos outros. Organogramas definidos.

    Pergunte-se, qual a qualidade de comunicação existente entre departamentos da sua empresa? Quais departamentos funcionam síncronos e por quê? Expedição e comercial ao menos se falam? Se convidasse todos para uma happy hour, será que haveriam grupos separados por setor ou um grupo só. Do que falariam?
    E quando falam com clientes, a língua é uma só? Como é, então?




    Ultimamente, após análise criteriosa de alguns projetos, temos chegado a conclusão que os produtos da gestão projetada iriam muito além do originalmente planejado.

    Nos últimos seis projetos dos quais participei, cinco resultaram em produtos além do imaginado. Todos os elementos necessários para a criação da inovação já estavam presentes. A nova diagramação fez com que pudéssemos vê-los mais claramente. O que me faz pensar que temos que estar prontos para a ocorrência do "serendipity"
    De fato, deveria até haver um manual junto ao PMBOK.

    Mas, junto a esta ocorrência deverá haver também, sempre, uma atenção aos detalhes enterrados no meio de toda essa informação. Perdidos, pela mecânica auto exclusão, na rotina diária.
    Verdadeiros tesouros de "arquivo morto" (outro post) e sincronicidade. Que alguém deve estar atento e descobrir no garimpo da revisão. E atenção ao detalhe.


    Sou um "S.L., um Sílvio Luis". Lembra dele? "Olho no lance!"
    São nos comentários e na revisão que percebemos os detalhes escondidos na rotina diária.




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