quinta-feira, 24 de julho de 2014

Sistemas

Já prestou atenção em quantos niveis estão estratificados todos os aspectos da nossa vida?
Tudo é sistemas. Vivemos dentro de sistemas complexos. Não existe quase nada que seja uma coisa única, isolada. Antigamente, por exemplo na Idade Média, talvez conseguissemos isolar. Pensando bem, acho que bem antes disso. Agora não mais.
Tudo está, ou faz parte de, uma rede de elementos. Componentes maiores ou menores, aos quais pertencem ou pertencem a ela. Todos os "produtos" (bens ou serviços) fazem parte desta rede... universal.


Compre um carro, por exemplo.
Até a escolha do modelo foi feita por alguem que não você. Da escolha da marca até do modelo, ele foi desenhado de acordo com o que, os desenhistas (designers) acharam que seriam os seus "gostos". Como você, é claro, conhece vários designers automotivos, por ai você vê como eles conhecem seus gostos. Suas cores preferidas são: branco, preto, vermelho e prata, certo? Amarelo é taxi ou aquela coisa que imita o Bumblebee dos Transformers. Afinal, eles sabem que por dentro ainda somos crianças que gostamos dos anos 70.

Não foi Henry Ford quem disse: "compre o carro da cor que quizer, sempre e quando seja preto" ("You can have any colour, as long as it's black ....")?

A maioria dos carros têm quatro rodas e definem uma base. Todas as bases repetem o mesmo retangulo regular e simétrico. Divida-o ao meio e verá que ambas são semelhantes, acima, abaixo, um ou outro lado. Semelhantes, similares. Poucos percebem o padrão. Os designers seguem padrões. A maioria segue imagens que possam ser reconhecidas. Vocês dirão que me repito mas, e até alguem me apresentar um termo melhor: padrão.

Quantas peças montam um carro?



O que adquirimos, na verdade, é a possibilidade de deslocamento ou transporte. Esta possibilidade está subordinada a uma rede. Rede esta composta por: postos de combustível, pneus, estradas, por exemplo. E estas, por sua vez a outras. Nada funciona sozinho, isolado.
Nem mesmo o carro que você comprou!

Todos nossos gostos, da roupa que vestimos, a comida que comemos, a forma como vivemos. A não ser alguns pequenos desvios, à beira do patológico, são generalizações de nossos gostos. Soma-se tudo, calcula-se a média e o desvio padrão e (voilà!) obtem-se o gosto. Dá até capa de jornal. O seu gosto. O meu gosto. Nosso.
Muito prazer...

 ....
Tudo tem um padrão . Todos seguimos padrões. Esse fato é chamado de: gosto. Às vêzes reconhecidos como cultura, hábitos ou costumes. Mas essa discussão de sociologia a deixaria para meu professor, dr. Sato (se estivesse vivo ainda). Ele que consiga diferenciar o que é um hábito e o que seja costume. Eu continuo confundindo os dois.

É isso que é viver em sociedade. Só que não é uma sociedade de um indivíduo único entre semelhantes. É uma sociedade que cada dia apresenta quase todo mundo igual na sua diferença. Somos quase os mesmos.
Padrões repetidos, iguais.


Somos como as cascas das cebolas. Estratificados em padrões compostos de elementos menores e iguais de si mesmos. Formas, cores, odores e sensações todas padrões reconhecíveis.
Padrões.

Fractais... estava demorando.
De fato, tentei evitar o assunto, mas vejo que não deu.
Vivemos segundo padrões que se repetem por iteração. Padrões interagindo com... (adivinhou!) padrões. E engraçado que somos finitos individualmente (como em sistemas fechados) e, como grupo, somos quase imortais (sistemas abertos). Pequenos lampejos, aqui e ali, são percebidos. E me fazem lembrar deste exemplo numa música do Gil, que diz: "Quando Bob Dylan se tornou cristão, Fez um disco de reggae por compensação, Abandonava o povo de Israel, E a ele retornava pela contramão".
Viu? Iterações mínimas.
Perfeito sinal de "Você está aqui, olhe em volta", ou então o também famoso; "Sorria, você está sendo filmado!".


Talvez a consciência do "nós" nos outros, crie um mudança pequenina. Capaz de mudar o "outro" em cada um de nós.



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