segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Sobre Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Faz alguns dias, fui trabalhar na aplicação do exame do Enem.
Primeira vez que fico do outro lado da prova. No primeiro dia foram perguntas de respostas diretas. O segundo trazia a 'famigerada' redação. Famigerada porque, por algum motivo que me foge à compreensão, pensar e escrever se tornou algo terrível e extenuante para quem está se acostumando a perguntar ao Google. Se esquecem que o primeiro passo da criatividade e inovação é pensado a tintas, e em silêncio. Colocar em gerúndio o infinitivo das informações coletadas.

Vendo a situação dos candidatos, decidi me inteirar do tema proposto da redação e para me ocupar, desenvolver uma redação mental, como se fosse minha a responsabilidade de fazê-la.
Das várias tentativas que fiz, me lembro que chegava sempre a um lugar que não era religioso. Lembrava de Buarque de Holanda, suas 'Raízes do Brasil' e pouco além disso. História e poucas páginas policiais. Guardei o que consegui e escrevo embaixo o que lembrei.
Espero não ter zerado a redação, pelo menos.


Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil (Enem, 2016)

A população brasileira é composta hoje, na maioria, pelos movimentos populacionais que sempre houve no mundo. A maior parte destes movimentos migratórios foi resultado da intolerância religiosa ou política, acontecidas principalmente na Europa. Desde antes do Cisma e passando pela Reforma Protestante, grupos religiosos migraram atrás de segurança para América, sendo o Brasil um dos destinos finais.

Nossa cultura, podemos dizer, é uma amalgama de todas aquelas que aqui formaram uma identidade nacional. Há, claro, aqueles grupos étnicos que mantêm traços e costumes originais, mas a prática religiosa nunca tinha sido uma ofensa ou crime. Houve, contudo perseguições a alguns cultos, não-cristãos principalmente, mas com o passar do tempo se entendeu que eram tão válidos quanto qualquer religião dita 'oficial' num país laico.

O que há, e isto sim precisa urgentemente ser analisado, entendido e combatido, é uma intolerância racial travestida em intolerância religiosa. Elementos que, em grupos, por divergências políticas ou econômicas, chamam a si o direito de tentar intimidar outros grupos ou minorias. Aqueles que por falta de educação carecem de limites ou empatia. Aqueles que se sentem acima e além de qualquer responsabilidade pelos seus atos, pelo simples fato de ser eles, seu nome, seu partido político ou até mesmo a fortuita cor de sua pele.

No Brasil, para combater tal situação, não é preciso criar mais leis. Temos leis demais criando confusão, entropia. E delas, a impunidade é certamente, um dos resultados mais evidentes.
Entender a intolerância religiosa seria então; entender a intolerância racial, econômica ou política praticada entre a população.

E para fazê-lo precisamos, não somente ser firmes e draconianos, mas deixar claro e evidente que não serão permitidas transgressões de qualquer espécie contra qualquer indivíduo, não importando gênero, raça, nem credo. Contas bancárias ou solvência econômica não fazem parte da caracterização do humano.

Botar um aviso bem visível na porta: "Cortamos cabelo e pinto!"
Entenda quem quiser.

domingo, 4 de setembro de 2016

Relatório Pós Ação: Solução a Procura de Problemas

O Wikipedia usa a definição militar do que seja Relatório Pós Ação (ou Relatório Pós Evento) dizendo: "Qualquer forma de análise posterior a ação (RPA), uma análise retrospectiva numa sequência dada de ações previamente levadas a cabo, geralmente pelos próprios autores".

Da minha parte, recentemente tenho participado de várias reuniões, como apoio logístico. Isso me permite que, enquanto executo minhas funções, possa prestar atenção à plateia.
E tento "ler" no seu gestual, o ambiente criado pela exposição do orador.

Imediatamente depois da apresentação insisto em que seja feita uma avaliação - pelo menos do ambiente - da plateia como percebido pelos palestrantes. Todo e qualquer detalhe é importante. Pena que seja difícil fazer algumas equipes perceber que, depois de passado algum tempo, nossa memória não lembrará detalhes. Ainda mais se estivermos saciados e descansados.

Responda as seguintes perguntas:
  • O que deveria acontecer?
  • O que aconteceu de fato?
  • Porquê houve (se houve) diferenças?
  • O que aprendemos e como melhor aproveitar esse conhecimento?

Não se preocupe, não há resposta errada.
Veja bem, você entra lá com alguma intenção específica e seu interlocutor responderá com seus próprios interesses. Esta leitura deverá ajudá-lo a modular suas ações futuras. Afinal, a plateia e suas reações são o motivo pelo qual você está lá.
O conjunto de respostas, e a análise delas, poderá desenhar um ambiente totalmente inesperado de oportunidades. E precisamos somente identificar o, ou os melhores, caminhos para alcançá-los.

Além disso, ao observar com atenção, poderá perceber quais as verdadeiras necessidades (wants) da plateia. Isto pode mudar o curso de suas ações, seus serviços ofertados futuros, acredite. Suas propostas atuais vão mudar assim que as explicitar ao cliente.
Imagine quais, ou como elas serão, daqui a cinco anos.

Por outro lado, vendo mais do ponto de vista do cliente, as frases que não consigo calar se resumem a três:
  1. (Eles) Não entendem (o que oferecemos),
  2. (Eles) Não querem (o que oferecemos),
  3. (Eles) Acham caro pagar (o que cobramos pelo que oferecemos)

Veja que todas elas representam alguma forma de troca de significados e valores. Para qualquer oferta, seja de produtos ou serviços, esta troca de significados é evidente em vários níveis.

O fato de você saber que seu produto ou serviço É o que o cliente precisa, não significa que ele vai concordar, assim de cara, com isso.
Parafraseando Laura Klein; "um grande número de produtos são soluções em busca de um problema ou a aplicação da última tendência de design a um produto que já existia".

Seu produto ou serviço tem que, não somente solucionar o problema do seu cliente, mas deve fazê-lo da forma correta. Criando uma situação tal que o problema inicial dificilmente volte a surgir nas mesmas condições.
Ou melhor então, evitando que crie problemas mais à frente.

Às vezes eles estão tão próximos do problema que não conseguem mais enxergá-lo. Um fluxo de processos truncado e/ou truncando outros fluxos, dentro de um sistema complexo e o cliente não consegue enxergar.

Um desenho de solução desintoxicado da rotina, pode indicar caminhos muito mais adequados.
Pode fazer com que, um atendimento que demorava 40 dias seja executado em apenas 3 minutos, por exemplo. Mas, a rotina normal deles continuaria a demorar um mês e uma semana para completar, se não entendessem sua solução.
Como solução do problema deles que, casualmente, eles nem sabem que tem pois o assumem como "rotina".

O simples fato de não entender, seu produto ou serviço como a solução, é suficiente para o perceberem como mais um custo sem sentido. Logo, nestes tempos em que até a tecnologia patrocina a parcimônia, não vão querer saber dele. E nem de você, também.
Por isso, solucionar o passo anterior é muito importante.

Se os dois pontos anteriores não forem resolvidos imediatamente, prepare-se para enfrentar este outro.
Seja lá qual for o preço que estiver pedindo ou ofertando pelo seu produto ou serviço, este parecerá caro e não vão querer pagar. Lembre-se, se eles não entendem, não faz sentido, não tem valor.
Não vão querer pagar.
Você não quer isso. Seu produto/serviço não é gerar custo. Muito pelo contrario!

Por isso, o relatório do começo é tão importante.
Entender as necessidades e a reação do seu cliente e agir de acordo com elas para aumentar o entendimento da sua proposta. Para eles entenderem seu produto ou serviço.
Para que sua explicação dele se torne uma tradução cada vez mais fácil e simples às necessidades do ouvinte.
Para que faça sentido e se torne algo compreensível.
Não somente "uma solução à procura de um problema".

O primeiro passo é sempre:

domingo, 28 de agosto de 2016

Um pouco sobre Design Olímpico

(20/08/2016)

Nem política, nem dinheiro serão capazes de criar situações como somente o design pode.
E, mesmo assim continua sendo o "patinho feio" de empreendimentos e processos.
Tivemos, não faz muito tempo, um evento mundial sediado nas nossas cidades. Nele pudemos verificar que o essencial básico da comunicação era feito através da comunicação visual.
Ela se encarregou de ser a mediadora de todas as línguas do mundo.
Fez parecer tudo tão fácil e simples.

Ninguém, ou quase ninguém, se deteve pra pensar na complexa rede de significados expressa nos significantes, cores e formas. Uma fonte, um logotipo, a diagramação de ingressos e cartazes.
Um uniforme colorido e leve.
Cores e formas significando univocamente este evento e sua função dentro dele. O que se viu foi o resultado de um labor intenso de designers e artistas.
Ninguém pensou na trabalheira que dá.

A logomarca da Olimpíada Rio 2016 foi oficialmente lançada na sexta-feira 31 de dezembro de 2011. Segundo jornal da data: "Cerca de dois milhões de pessoas estiveram presentes na inauguração interativa da marca, que dá a ideia de três pessoas, com as cores da bandeira nacional, se abraçando e formando o Pão de Açúcar. A logomarca, escolhida em agosto, era mantida em sigilo".
Alguns não entenderam, não gostaram e, até denúncias de plágio foram ventiladas. Mas, isso acontece até com o açaí. Logo, nada de novo.



Desde o dia 05 de agosto de 2014, quando do lançamento oficial do "look olímpico" representando a "diversidade harmônica do povo brasileiro", as bases para a multicolorida linguagem visual dos jogos olímpicos e paralímpicos do Rio de Janeiro -e, por contiguidade: do Brasil-, estava lançada.


E assim, depois de 23 estudos, oito meses de trabalho e 5.448 caracteres criados foi, por fim, conceitualizada a fonte Rio 2016 como a vimos ser usada. A equipe da Dalton Maag Brasil, a equipe de design do Rio 2016 e do consultor Gustavo Soares, especialista em tipografia, desenvolveram a fonte que contem a essência do movimento dos atletas e o fluido traçado natural da Cidade Maravilhosa.

Como bem explicado no Guia de Proteção de Marcas do Comitê Olímpico: "O povo brasileiro é apaixonado por esportes e terá orgulho de demonstrar isso durante os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos Rio 2016".


O design e o desenho dos logotipos, mostra a evolução que houve, e a posição cada vez mais importante do design como participe da vida cotidiana moderna. Cada um deles inserido no seu tempo, e na cultura na qual foram criados. Pequenos grandes reflexos da história ao seu redor.

Para cada um deles, a leitura vem com sotaques e acentos locais. Coloridos níveis de leitura universal. Onde ainda; "podemos distinguir uma atividade racional visando um fim prático e uma atividade comunicacional, mediada por símbolos" (Weber).
Muito longe do somente bonito.


Comparando o logo dos jogos acontecidos em México (1968), Sidney (2000), Atenas (2004), Pequim (2008) e Rio, além das leituras óbvias da passagem do tempo, de sua identidade cultural, notamos a evolução gráfica em cada um. Algo que nos acompanha, evoluindo conosco, desde antes que o primeiro nefelibata encostasse a mão manchada de sangue na parede da caverna, enquanto imaginava como iria pintar um bisão.

Ao leitor mais cuidadoso ficará a curiosidade em saber quanto, do custo total enunciado em livro-caixa, foi a parcela dessa imagem que se movia e nos hipnotizava olimpicamente durante os jogos. Se a cidade foi escolhida em 02 de outubro de 2009, e o logo escolhido em agosto de 2011, houve dois anos de trabalho árduo no meio.
E, se acha que é fácil. Que é só coisa de pegar o photoshopi ou illustrator e mandar ver, temos Tokyo 2020 já na versão 3.0.
Veja o logo e leia o artigo no link.

http://thenextweb.com/asia/2016/04/25/web-forced-redesign-japanese-olympics-logo/#gref





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Referências

  • https://www.rio2016.com/sites/default/files/parceiros/gpmoe-rio2016_out.pdf
  • http://adnews.com.br/publicidade/conheca-a-comunicacao-visual-dos-jogos-olimpicos-rio-2016.html
  • https://www.rio2016.com/transparencia/perguntas
  • https://www.rio2016.com/marca
  • https://smsprio2016-a.akamaihd.net/documents/Guia_Pratico_de_Protecao_as_Marcas_RIO-2016-portugues.pdf
  • https://www.rio2016.com/educacao/sites/default/files/midiateca/aulas/11_rio_2016_fonte_ok_0.pdf
  • https://www.rio2016.com/noticias/rio-2016-lanca-fonte-inspirada-no-logotipo-e-comeca-a-construir-a-identidade-visual-dos-jogos
  • https://casacombo.blogspot.com.br/2010/09/os-logos-das-olimpiadas.html
  • http://extra.globo.com/esporte/rio-2016/logomarca-das-olimpiadas-rio-2016-lancada-na-festa-de-reveillon-de-copacabana-808467.html#ixzz4ISa7SWdh
  • http://thenextweb.com/asia/2016/04/25/web-forced-redesign-japanese-olympics-logo/#gref
  • https://eyeondesign.aiga.org/milton-glaser-analyzes-olympic-logo-design-through-the-ages/ 
  • http://logobr.org/branding/logo-rio-2016-design-para-donas-de-casa/

quinta-feira, 21 de julho de 2016

A corrupção é privada, o castigo é social

(Cebolas - 25 de outubro de 2014)

Estamos tão acostumados a olhar e descartar o que não entendemos ou não queremos ver, que mesmo com as imagens à nossa frente, nos iludimos. Não vemos. Insistimos em não querer ver o que está postado bem à nossa frente.

Venho escrevendo sobre movimentos paralelos ao centro da atenção pública. Miragens e alucinações típicas de um nefelibata.

Recentes posturas, situações e atitudes, escondem ranços maniqueístas. E nestes últimos, agendas particulares, não mais altruístas. Quanto mais prestarmos atenção, mais detalhes reconheceremos.
E, não veremos.

Escrevi faz algum tempo sobre como o mercado recebia e se ajustava, ajustando ele mesmo, os resultados dos procedimentos político-sociais no país. Aceitava ou não, resultados e nomeações de oficiais no Executivo. Mostrava seu agrado ou repulsa pelos movimentos mais evidentes de preços no mercado especulativo. Isto desencadeia, lógico, respostas e análises de profissionais 'da economia'. Arautos muitos, tradutores de melodias e canções estrangeiras.

Quem não prestou atenção no lá-lá-lá ensandecido, a la Sinatra senil, do Executivo?
Aos hipócritas e detalhados ritos preciosistas do Legislativo ou à carga da cavalaria setorizada do Judiciário, fingindo pegar a si mesmo de surpresa?
"Não sabia de nada" ou "Sou inocente", e vazamentos cirúrgicos se juntam a delações com prêmio, extorquidas de prisioneiros escolhidos a dedo.
Justiça movida a bacalhau do Chacrinha.
Ninguém viu.
Ninguém?

Neocolonialismo?

Não, neoliberalismo, lembra dele? Aquele que diz que, "sem uma grave crise, real ou imaginada, não haverá mudança". Bem, acostume-se aos seus novos cantares, resultado de manipulação midiática como antes nunca se viu. Herr Göebels ficaria orgulhoso, se o plano fosse dele, mas não é. O buraco é mais embaixo.
Nem o braço executor é senhor, ele serve outrem, não se enganem!

A mudança acontecerá - sempre e quando - tudo permaneça igual. Preste atenção, criatura!

O tumor extirpado junto com margem de segurança, sem recomposição das áreas produtivas, está paralisando todo um país.
Até que enfim uma luz no fim do túnel, ontem escutando um comentário do prof. Menes, da USP, disse que "deveria-se culpar ou castigar o corruptor e ao corrupto, o desonesto na empresa, mas não desmantela-la, já que ela faz parte de um 'elemento social' maior aos desonestos".

Explico, todas as grandes empresas empreiteiras que têm aparecido no noticiário policial incluídas na Operação Lava-Jato, tiveram suas atividades paradas. Quase todas elas cessaram, por acefalia, o grosso das suas funções. Significa que no desmonte desta estrutura social, repito, os trabalhadores, e as pessoas ligadas a elas, e que não participavam dos esquemas corruptos, simplesmente não têm mais empregos.
Ficaram sem fonte de rendas.
O emprego acabou.
L'Horror!

Logo, uma parte dos índices advindos dessa nova situação, tipo: "aumento do desemprego, 11 milhões de desempregados!", poderiam também ser contabilizadas ao afã maniqueísta dos novos "Salvadores da Pátria".

E, ainda tem mais.
Toda a cadeia produtiva ligada a essas empresas fica estagne! E a cadeia produtiva ligada à estas, também ficará! Percebendo isto foi que escrevi: "A corrupção é privada, o castigo é social". Pois os únicos beneficiados neste fluxo de coisas todo serão: os corruptos/corruptores.
E ninguém se pronuncia, nem ocupa primeiras páginas da mídia, faz passeatas na Av. Paulista ou na Candelária. A Globo não anuncia? Ninguém bate panelas?
Ninguém?

Sei lá... pelo menos o Sakamoto escreve no blog dele.



segunda-feira, 6 de junho de 2016

Zeróis

Meus heróis de infância eram: David, Salomão, B. Franklin, A. Lincoln, L. da Vinci, N. Bonaparte, Rodrigo Dias de Vivar, Vasco Nuñes de Balboa, Victoriano Lorenzo, Edison, T. Roosevelt e H. Ford.

Era fácil, pois de todos sempre havia alguém que falava bem. Meu avo (uber-herói), principalmente. Suas vidas estavam nos livros de contos e história. Havia documentação (mesmo que, na época, nem imaginasse o que era: documentação). Com o tempo fui coletando mais "documentação" -informações- sobre esses "heróis".



Alguns deles não resistiram à coleta. Foram re-avaliados e cederam suas posições para outros. Edison cedeu para Tesla, por exemplo, que somente vim descobrir já entrado na adolescência. Bonaparte também, ainda que ele já vinha dando sinais desde meus primeiros contatos com história como matéria escolar. David cedeu maniqueisticamente seu lugar ao filho; Salomão. Que afinal, não foi muito melhor que o pai.


Heróis de guerra não se mantêm muito bem fora dela. O menor escrutínio mostra mossas de caráter. Uma enxurrada de gregos e romanos seguiu este caminho. Políticos, quase nenhum. Ainda que Lincoln, Roosevelt, Gandhi e Vargas se destaquem bastante.


Já na adolescência; E.A. Poe, G.B. Shaw, A. Dumas, J. Verne, O. Henry e H.G. Wells, delatam que comecei a ler... bastante. Até que tive que "pegar no batente". Deixei essas "baboseiras de moleque" pra lá, não tinha mais tempo para isso.
Mas, o tempo que podia, preferia passá-lo lendo ou escrevendo.
Ainda aprendo alguma coisa.


Via a história como isso mesmo; história. Achava que não tinha nada a ver comigo. Logo, os heróis não passavam de informação documentada. Não fariam nada mais do que já estava escrito.
Histórias...

Nunca me passou pela cabeça que EU faço parte da história. Assim como todos NÓS somos parte da história. Cada um de nós influencia -uns mais, outros menos- os acontecimentos da história. E, assim como todo dia aparece um anônimo que sai do seu caminho para fazer a coisa certa, há também aqueles que ficam imóveis, para não o fazer.
Ou, decididamente, para atrapalhar o fluxo.

Exemplos, dentre aqueles primeiros; GW. Gorgas e A. Prudente.
GW. Gorgas aproveitou toda uma estrutura para satisfazer um comando. O fez em Cuba e depois repetiu o feito no Panamá. A. Prudente, por sua parte, aproveitou o seu ambiente -sua sociedade- para atingir seu objetivo altruísta. Ambos nos legaram mudanças de hábito e trilhas a ser seguidas.
Sua documentação, em nichos diferentes, está ai, acessível e oportuna.
Fizeram do seu caminho, parte da história.
Heróis.






Escrito originalmente em 08/06/2011 e editado em 13/01/2016.

domingo, 8 de maio de 2016

Visionários

"(...) os leitores de ficção científica estão preparados para muitos futuros".
CARD, Orson S. "Science Fiction in the 1980s"

Isaac Asimov, Ray Bradbury, Arthur Clarke, H.G. Wells, Ursula K. Le Guin e Jules Verne e uma enxurrada de outros autores de ficção científica viram e imaginaram o dia-a-dia do futuro.

Por isso, previsões de futuro, no passado, são agora, o presente!
Eles falavam de nós. Previam que, como sociedade, iríamos melhorar. Gentil e inocentemente contavam com isso.

O que vemos hoje são, na maioria, previsões catastróficas e cenários apocalípticos. Contamos com que pioraremos, ainda mais. Não nos bastaram as guerras e conflitos, pelos motivos mais ridículos, que já tivemos e continuamos a ter. Transformamos tudo e todos em opositor, em mercados ou, aproveitando os avanços tecnológicos, em redes.

O opositor
Não entender o que falas, não te transforma automaticamente em meu inimigo.
Cores, línguas, histórias e cultura não nos fazem lá tão diferentes. "If you prick us with a pin, don't we bleed? If you tickle us, don't we laugh?" disse o bardo de Avon, em sua peça ao referir-se aos outros. Somos primos afastados numa casa esférica, mais cedo ou mais tarde nossos caminhos hão de se cruzar.
Se prestarmos atenção, veremos que caminhamos juntos em direções mil. Acompanhamos o mesmo dia, o mesmo sol, as mesmas estrelas. As nossas canções (a não ser os martelos Balineses e as arapongas) cantam as mesmas coisas.

O mesmo DNA comum para todos.

A média mundial de idade subiu de 52 anos em 1964 para 70 anos em 2012. Em alguns países, como Japão, Suíça e Austrália, já está em 82 anos. Graças aos avanços na medicina, e ao pouco senso comum que insiste teimosamente em nos acompanhar. Aumentaria a qualidade, não tanto a quantidade, de anos se o bom senso que nos acompanha fosse ouvido com atenção.

O opositor somos nós, não se iluda.

De mercados
Com o apoio da tecnologia, hoje sabemos, ou podemos descobrir fazendo as perguntas certas, quem faz o quê e onde o faz. Quanto custa e, às vezes, quais processos são necessários para planejar, produzir e inovar a partir desse conhecimento.


Abandonar as ideias de carros-voadores e viagens interplanetárias no século XXI, nos parece óbvio quando percebemos que, ainda em 2016, não temos nem mesmo saneamento básico nem saúde igual para todos. Não somente no Brasil. Mas como uma característica mundial.
O mundo e a tecnologia podem estar cronologicamente  no século XXI, mas o homem ficou para trás, no século XVIII.

Das Redes
A aplicação das ciências nos trouxe, hipnotizados pelo som da flauta, até onde estamos.
Ainda criamos expectativa em nossos herdeiros, que não mais concebem um mundo sem tecnologia. Se divertem criando apps para celular e loop-holes para hacks. Param somente ante o "cannot divide by zero" e, como num labirinto, viram as costas e começam a andar a esmo, sem mais pensar no assunto.

Ao submetermos nossas crianças ao domínio da tecnologia, pois esta, ao dominar-nos (sim, preste atenção!), também nos limita o tempo que temos para conviver com elas, assumimos que os crie à nossa imagem e semelhança. Esperamos e cremos piamente, que os valores civilizatórios, atávicos e inerentes à raça humana sejam ensinados, transmitidos, mostrados à página em branco de suas mentes infanto-juvenis. Desde as tragédias dramáticas do Chapeuzinho Vermelho e da Odisseia até os maniqueístas dramalhões bíblicos da tradição judaico-cristã. Criando desta forma, suporte e continuidade para o que convencionou chamar-se de: humanidade.


O que temos visto, como resultado dessa exposição desenfreada é um gamefied melhor de três. Onde o importante deixa de ser a tentativa e passa direto à orgia do caos. Podemos fazer (e dizer) qualquer coisa, sempre e quando não percamos uma vida. Amanhã ao acordar, arrastados e esperneando, faremos de novo, com outras novas três!

Parece que, após duas guerras mundiais e armas de destruição em massa, perdemos a inocência e ficamos tristes... Surpresos e assustados com o que somos capazes de fazer com nossos semelhantes.
E, para nos proteger, fingimos que é um jogo. (Eles) São números numa tabela, estatísticas isoladas, como índices epidemiológicos de incidência e mortalidade de mundos que nunca conheceremos.
Coisas a toa, sem importância.

As visões de exploradores, curiosos e ousados dos autores visionários enunciados foram trocadas por livros-caixa onde tudo é medido a KPIs, metas e produção. Como disse antes, em outro post: "a tecnologia que devia dar-nos asas, nos impõe grilhões".

Pare de correr atrás do próprio rabo, pense um pouco e... liberte-se.



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segunda-feira, 25 de abril de 2016

Democracia como instrumento de dominação

Por esta nem os gregos, que a inventaram, esperavam!
Pax Romana versão 2.10.

Criar e impor, a um povo, um sistema de governo-gestão que, ao mesmo tempo, facilitasse e adiantasse, sua dominação por outro. Torná-los tão dependentes, social e economicamente, ao ponto de abandonarem seu sistema anterior - como antigo e ultrapassado - e, no afã da modernidade, pular etapas no seu desenvolvimento, tais que criariam condições para rasgar o tecido social e histórico inerente à sua própria cultura. Criar uma evidente polarização social traduzida em posses.
Ter ou Não-ter passa a significar muito mais e diferente.
De nus passam ao jeans, ao GAP e ao Savile, trocam estilos nômades e camelos por terraços em espigões de vidro e Rolls-Royce refrigerados.


Foram necessárias duas guerras mundiais em sequência, algumas armas de destruição em massa e outras menos populares, para criar uma potência na América. Assumiu-se que o produto americano seja melhor, quando na verdade, depois das guerras, não havia mais estrutura econômica (fábricas e gestão) na Europa ou na Ásia - no mundo, resumidamente - que fizessem concorrência ao modelo econômico norte-americano. Não houve despejo de bombas nos Estados Unidos continental, no entanto Londres, Paris, Berlim e Tóquio, foram quase destruídas à força de bombardeios inimigos.
Parte importante da Europa mal saiu da 2ª Guerra com habitantes suficientes para se recuperar do conflito!
Um continente inteiro, um novo Paraguai pós-Solano.

"Our policy is directed not against any country or doctrine but against hunger, poverty, desperation and chaos." - George C. Marshall

E isto durou até os anos 60~70. Quando as empresas europeias e asiáticas começaram a ocupar espaços (em quantidade e depois, qualidade), ainda nos seus próprios territórios. As estruturas econômicas europeias e asiáticas foram, por necessidade de sobrevivência, reerguidas. Produtos e serviços começaram a ser ofertados num mercado antes ocupado somente pelo produto americano.
Começou a concorrência, estabeleceram-se as opções de mercado. Em quase todos os mercados.
E começou a crise.


Hoje, o "American way of life" é a base de quase toda a estrutura econômica mundial. Vestimos, comemos e vivemos como os impostos padrões americanos. Mais ou menos.
Poucos deixamos de ter, e reconhecer, os mesmos objetivos descritos pela cartilha americana.

A 'América' ainda valida e certifica a aplicação do seu modelo de gestão em terras estrangeiras. Quem usar qualquer modelo diferente estará errado, será retrógrado ou aventureiro. As KPIs nascidas em inglês, hoje têm sotaque alemão ou japonês, em dialetos chineses. Apesar da brava resistência, os russos cansaram de brincar de foguetes, enfiaram a viola no saco, e aderiram ao sistema com entusiasmo. Os outros dois ou três países que ainda resistem, têm uma população de olhos ávidos nos produtos da vitrine americana. Qualquer descuido e, zap, viva o novo regime!
Veem o que vejo?

E, quando tudo mais pareça não funcionar, ainda existirá a tecnologia, capaz de influenciar e mudar ideias, pela coerção passiva e "intervenção cirúrgica", muito longe da intervenção militar.
Continuamos, querendo ou não, ligados ao 'ventre da mãe' pelo cordão umbilical digital.
Enquanto deletamos e 'whasappamos' em bm ptgs.

Mas, prestem atenção em como essa enorme e intrincada engrenagem funciona. O que ela precisa para funcionar e manter azeitados seus rolamentos. Esqueçam o que ela faz, ou como ela faz, e prestem atenção no que ela precisa para fazê-lo.

O que ela precisa...
Digital ou não.
...

Vae victis!



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